East Almanac
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54. A donzela que se casa (归妹)

Julgamento

O casamento da donzela: avançar traz infortúnio; nada é vantajoso.

Leitura moderna

O Hexagrama 54 apresenta o Trovão sobre o Lago, simbolizando iniciativas impulsionadas pelo desejo e pelo entusiasmo inicial, mas desprovidas de ordem formal sólida. A tradição clássica adverte que avançar sem respaldo estrutural traz adversidades, exigindo discernimento prévio sobre os riscos futuros.

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Pedido de leitura de I Ching / BaZi (de eastalmanac.com).
Page: Hexagram 54 归妹 — Julgamento.
Interprete em duas camadas clássicas: 1) Evidência estrutural: dinâmica das linhas ou equilíbrio elemental. 2) Veredito prático: resposta direta e clara à consulta, com 2–3 passos de ação concretos (iniciando com verbos) e alertas conscientes. Sabedoria para autorreflexão. Página de origem:
https://eastalmanac.com/pt/yijing/54/0

Mapa BaZi

A tensão entre o elemento Metal no trigrama inferior e a Madeira no superior sugere momentos em que o impulso emocional se sobrepõe à disciplina reguladora.

Na análise dos Quatro Pilares, quando a energia da ação entusiástica desrespeita as balizas institucionais, surgem atritos contratuais e desgastes de legitimidade.

A tradição clássica do BaZi sugere cultivar o respeito rigoroso aos acordos formais para prevenir litígios e instabilidades. Controlar anseios impulsivos protege sua trajetória contra rupturas desnecessárias.

Mapa astral ocidental

A interação dinâmica entre Vênus, Marte e Urano reflete atrativos súbitos e decisões tomadas sob o calor da novidade, frequentemente ignorando bases estruturadas.

Trânsitos com essa vibração incitam a selar pactos precipitados antes que a realidade prática dos compromissos seja devidamente calculada. A perspectiva astrológica recomenda empregar rigor intelectual e paciência antes de consolidar parcerias definitivas.

Pensar com frieza antes de assumir promessas evita arrependimentos posteriores.

Consulta do I Ching

Com a alegria de Dui impulsionando o movimento de Zhen, a ação nasce da atração passional, porém as linhas refletem posições invertidas onde a condescendência se sobrepõe à firmeza legítima.

O hexagrama nuclear Ji Ji (63) adverte que uma aparente harmonia preliminar oculta desencontros estruturais inevitáveis. A tradição oracular assinala que avançar às cegas resulta em infortúnio, demandando pausa deliberada e contenção.

Agir com pressa sem critérios sólidos conduz a impasses difíceis de contornar.

Carreira

Iniciar sociedades ou lançar projetos corporativos sustentados apenas pelo entusiasmo e por acordos informais gera sérias vulnerabilidades operacionais.

Sem a definição clara de papéis, responsabilidades legais e processos de governança, o empreendimento fica sujeito a impasses institucionais e falhas de conformidade.

Consolidar os termos contratuais e revisar todas as exigências burocráticas deve anteceder qualquer movimento de expansão. Estruturar formalmente cada etapa do trabalho protege suas iniciativas contra prejuízos operacionais.

Riqueza

Decisões financeiras orientadas pela empolgação momentânea ou por esquemas supostamente fáceis acarretam custos ocultos significativos. A configuração de desejos imediatos superando o controle prudente aponta para riscos de descompasso de caixa e despesas desproporcionais.

O caminho seguro consiste em restringir exposições financeiras arriscadas e evitar compromissos cujas cláusulas de saída não estejam evidentes. Proteger suas reservas contra apelos sedutores favorece a estabilidade de seu orçamento.

Amor e relacionamentos

Relacionamentos que se desenvolvem rapidamente pelo fascínio mútuo podem revelar disparidades fundamentais de valores e expectativas a médio prazo.

Quando a aliança avança sem acordos transparentes sobre deveres e objetivos de vida, a intensidade inicial tende a converter-se em cobranças e frustração.

A sabedoria tradicional aconselha observar com clareza o caráter do outro e a compatibilidade cotidiana antes de formalizar laços duradouros. Conhecer a realidade prática da convivência é indispensável para construir um afeto estável.

Saúde

A fricção entre o dinamismo excessivo do Trovão e a reatividade do Lago pode desencadear sobrecargas no sistema nervoso e oscilações do padrão de sono.

A dinâmica de fogo e água no hexagrama nuclear alerta para o esgotamento físico provocado por reações emocionais desmedidas ou desgaste contínuo. Preservar rotinas regulares de repouso e momentos de tranquilidade favorece o equilíbrio somático global.

Reservar pausas para desarmar a mente restaura sua vitalidade física.

Crescimento pessoal

A máxima da Grande Imagem ensina que o indivíduo sábio compreende o declínio desde o início do movimento, avaliando as consequências de longo prazo.

O amadurecimento pessoal exige o domínio sobre impulsos urgentes e a capacidade de prever desdobramentos éticos e práticos de cada escolha. Desenvolver uma visão ponderada sobre as causas e efeitos liberta você de ciladas autoimpostas.

Antecipar as falhas potenciais antes de agir fortalece sua consistência pessoal.

Compatibilidade

Aproximações rápidas fundamentadas apenas em afinidades momentâneas ou conveniências passageiras carecem de solidez perante as primeiras divergências.

Quando as fronteiras de conduta não são estabelecidas com sobriedade, as expectativas frustradas costumam desgastar o respeito inicial. A convivência saudável floresce a partir da cortesia, de limites claros e do respeito à individualidade de cada parte.

Definir limites transparentes desde cedo impede desentendimentos e mantém a consideração recíproca.

Ciclos de fortuna

Nesta etapa de vida, surgem oportunidades aparentemente brilhantes, mas que trazem atritos normativos ocultos ou posições de desvantagem. Tentar forçar conquistas sob essa conjuntura tende a colidir com regras estabelecidas e barreiras de autoridade.

A recomendação estratégica é conter pretensões excessivas, ordenar as tarefas pendentes e manter a serenidade enquanto o cenário amadurece. Aguardar o momento oportuno com postura contida evita desgastes desnecessários.

Leitura anual

O ciclo anual mostra-se sujeito a um início dinâmico seguido de entraves burocráticos, especialmente se novos acordos forem firmados sem detalhamento prévio. Compromissos assumidos sob promessas verbais podem sobrecarregá-lo com encargos alheios e pouco retorno real.

Manter a discrição e cumprir com rigor as responsabilidades essenciais é o melhor roteiro para atravessar o ano sem sobressaltos. Focar nas próprias obrigações com rigor técnico tende a trazer um ano equilibrado e seguro.

Análise do nome

Uma estrutura onomástica que espelhe a energia inquieta de Gui Mei tende a suscitar temperamento ansioso e preferência por atalhos superficiais.

O ajuste adequado na tradição nominal valoriza grafias e significados associados à estabilidade da Terra e à clareza da Água para conferir firmeza e profundidade. Nomes imbuídos de peso e equilíbrio moral ajudam a conter volatilidades e estimulam a paciência realizadora.

Elementos que evocam sobriedade favorecem o autocontrole e a perseverança.

Escolha de datas

Na tradição dos almanaques clássicos, momentos regidos por Gui Mei demandam cautela estrita para celebrações matrimoniais, inaugurações ou assinaturas de contratos definitivos.

Iniciar empreendimentos sob essas coordenadas energéticas eleva a probabilidade de litígios futuros ou descumprimento de cláusulas. Recomenda-se eleger datas com atributos ordenados e estáveis para favorecer a sustentabilidade do ato.

Escolher momentos de equilíbrio institucional propicia desfechos mais sólidos e duradouros.

Feng Shui

O encontro enérgico entre Trovão e Lago nos espaços físicos pode gerar circulações de ar excessivamente bruscas ou alinhamentos visuais que perturbam a tranquilidade doméstica.

A aplicação de tons terrosos sólidos ou referências sutis ao elemento Água contribui para harmonizar o confronto entre as zonas de Madeira e Metal. Estruturar ambientes internos focados na harmonia e na contenção acústica protege os moradores da dispersão e do estresse.

Ambientes equilibrados e acolhedores neutralizam a agitação e promovem a paz no lar.

Referências

Texto original

Comentário Tuan

O casamento da donzela representa o grande dever entre o Céu e a Terra. Se o Céu e a Terra não se unissem, os dez mil seres não floresceriam; o casamento da donzela é o fim e o início do gênero humano. Alegria que se converte em movimento: nisso consiste o casamento da donzela.

'Avançar traz infortúnio': as posições não são apropriadas. 'Nada é vantajoso': o suave cavalga sobre o firme.

Grande Imagem

Trovão sobre o lago: O casamento da donzela. O homem nobre, contemplando o fim perpétuo, reconhece o que perece.

Comentário clássico

Zhouyi BenyiJuízo

Para a mulher, o ato de casar-se chama-se gui; mei é a donzela jovem. Duì representa a jovem moça que segue o filho primogênito de Zhèn; além disso, seus sentimentos consistem em mover-se impelida pelo prazer e pela atração: ambos carecem de retidão.

Por isso o hexagrama é Guī Mèi (A donzela que se casa). Ademais, da segunda à quinta linha nenhuma linha obtém a posição correta, e a terceira e a quinta linhas são yin cavalgando sobre yang; por isso seu oráculo diz que "empreender traz infortúnio e nada é vantajoso".

Zhouyi BenyiComentário Tuan

Explica o nome e o sentido do hexagrama. O casamento é o destino final da donzela; a procriação é o começo da vida humana. Pronúncia de shuo: lê-se yue.

Explica também pelas virtudes intrínsecas dos trigramas. Explica igualmente o texto do julgamento pela estrutura das linhas do hexagrama: a união de homem e mulher em si decorre dos princípios naturais e corretos; somente neste hexagrama a retidão não é obtida.

Zhouyi BenyiGrande Imagem

O trovão agita-se e o lago o acompanha: a imagem da donzela que se casa. O nobre, ao contemplar a incorreção dessa união, compreende que o final trará desgaste e ruptura; estendendo isso a todos os assuntos e seres, vê que o mesmo se aplica sem exceção.

Yichuan YizhuanJuízo

Guī Mèi na Ordem dos Hexagramas: Jiàn é o progresso gradual; avançando, há de se encontrar um destino e abrigo, por isso ele é sucedido por Guī Mèi. Avançar implica alcançar algum paradeiro; daí Jiàn encerrar o sentido de retornar/casar-se, e Guī Mèi ser o continuador de Jiàn.

Guī Mèi é o matrimônio da mulher; mèi é a denominação da moça jovem. Na estrutura do hexagrama, Zhèn está em cima e Duì embaixo: a moça jovem segue o varão primogênito.

O homem move-se e a jovem compraz-se; além disso, ela age movida pela atração e pelo deleite: tudo exprime o homem comprazendo-se na donzela e a mulher seguindo o varão. Há quatro hexagramas com o significado de união conjugal de homem e mulher: Xián, Héng, Jiàn e Guī Mèi.

Xián é a mútua atração e sentimento entre homem e mulher; o varão humilha-se perante a mulher e as duas forças vitais atraem-se e respondem-se mutuamente; a quietude conduz ao agrado: é a imagem da ressonância afetiva entre homem e mulher.

Héng é a constância duradoura; o homem está acima e a mulher abaixo; a docilidade move-se com suavidade e o yin e o yang correspondem-se; é o caminho perene da vida conjugal em que esposo e esposa harmonizam-se mutuamente.

Jiàn é o matrimônio feminino que obtém a retidão: o homem coloca-se sob a donzela e ambos alcançam suas posições corretas; há repouso sereno e suave complacência, seu avanço tem gradação e o casal une-se segundo o caminho legítimo.

Guī Mèi é a ida da mulher em casamento: o homem está no alto e a mulher embaixo, a mulher segue o homem; contudo, há o sentido de atração lasciva pela juventude: mover-se por deleite e deleitar-se ao agir acarreta a perda da retidão.

Por essa razão, as posições são todas incorretas: as linhas inicial e superior, conquanto ocupem lugares yin e yang correspondentes, colocam o yang embaixo e o yin em cima, de modo que tampouco correspondem à sua devida dignidade. Forma assim o oposto exato de Jiàn.

Xián e Héng tratam do caminho dos esposos; Jiàn e Guī Mèi tratam do casamento da donzela. Xián e Guī Mèi manifestam a paixão afetiva entre homem e mulher: Xián aquieta-se e compraz-se, ao passo que Guī Mèi age impelido pela atração sensual; ambos fundamentam-se no prazer.

Héng e Jiàn manifestam a solene justiça entre esposo e esposa: Héng é dócil e move-se, Jiàn detém-se e é complacente; ambos fundamentam-se na obediência harmoniosa. Neles se completam o caminho do homem e da mulher e o dever sagrado do matrimônio.

No hexagrama Guī Mèi, sobre o lago há o trovão: o trovão ribomba e o lago agita-se em resposta, acompanhando-o; entre as coisas que se movem seguindo o impulso externo, nada se compara à água.

O homem move-se acima e a mulher o acompanha: a imagem da donzela que se casa e segue o marido. Zhèn é o filho mais velho, Duì é a jovem donzela; a jovem segue o homem mais velho, agindo por atração e sentindo deleite no movimento mútuo.

Aquilo por que os homens se encantam é a jovem donzela, por isso se diz mèi (irmã mais nova) como imagem do matrimônio feminino; além disso, encerra a ideia de o varão primogênito cobiçar a moça jovem, daí o nome Guī Mèi.

Agir impelido pelo mero deleite e mover-se de modo impróprio atrai o infortúnio; não estar na devida posição é a causa do desacerto. Empreender traz infortúnio porque qualquer movimento gerará ruína.

Conforme a moral deste hexagrama, não é apenas o casamento da noiva que falha: nada há em que se possa avançar com proveito.

Yichuan YizhuanComentário Tuan

Um yin e um yang constituem o Dao; a mútua interação de yin e yang e a união conjugal de homem e mulher são princípios universais e perenes do Céu e da Terra. Guī Mèi é a mulher que se casa com o homem; por isso é dito que é o grande sentido do Céu e da Terra.

O homem está sobre a mulher, e o yin move-se acompanhando o yang; por isso é a imagem do casamento da donzela. Se o Céu e a Terra não se unissem, donde nasceriam todos os seres? O casamento da donzela é o caminho pelo qual a geração da vida sucede-se sem interrupção.

Quando homem e mulher se unem, há geração e reprodução contínuas; havendo reprodução, o encerramento das gerações nunca se extingue. O que veio antes atinge seu término, e o que vem depois tem seu recomeço: essa continuidade infinita constitui o fim e o recomeço da humanidade.

Explica-se o sentido de Guī Mèi pela natureza dos dois trigramas: homem e mulher sentem mútua atração e agem movidos pelo prazer, o que é próprio das paixões imaturas da jovem donzela; logo, agir pelo deleite faz com que aquela que se casa seja a irmã mais nova.

A razão pela qual empreender traz infortúnio é que todas as linhas estão fora de suas posições devidas. Se a conduta de todas é incorreta, como qualquer ação deixaria de ser desastrosa?

De modo geral, agir impulsionado pelo puro prazer sensorial raramente deixa de perder a retidão. Não apenas as posições são impróprias, há também a falta de cavalgar sobre a firmeza: a terceira e a quinta linhas cavalgam sobre linhas yang firmes.

Homem e mulher guardam a distinção natural de nobreza e submissão, e os cônjuges devem observar a ordem de liderança e acompanhamento mútuos: esta é a regra constante, como se vê no hexagrama Héng.

Se não se pautarem pelo caminho eterno da retidão, entregando-se aos apetites desregrados e movendo-se unicamente pelo prazer efêmero, os cônjuges cairão em promiscuidade e desrespeito: o marido se deixará escravizar pelo desejo e perderá sua firmeza viril, e a mulher se acostumará ao capricho esquecendo a dócil virtude, exatamente como em Guī Mèi, onde o yin cavalga sobre o yang.

Por isso há infortúnio e nada é vantajoso.

A união de yin e yang e a conjunção de macho e fêmea são leis naturais e saudáveis; contudo, entregar-se à volúpia desenfreada sem respeitar a justiça e a decência leva à licenciosidade e à devassidão absolutas, arruinando a pessoa e destruindo o caráter moral.

Como poderia isso condizer com a dignidade humana? Eis por que Guī Mèi culmina em desgraça.

Yichuan YizhuanGrande Imagem

O trovão retumba nas alturas e o lago ondula em resposta; o yang move-se em cima e o yin compraz-se em segui-lo: eis a imagem da mulher que acompanha o esposo. Por isso chama-se Guī Mèi.

O homem nobre contempla a imagem da conjunção dos sexos e da perpétua sucessão da vida para eternizar o término, ciente de que as coisas se desgastam e findam.

Tornar perpétuo o término significa gerar e dar continuidade aos descendentes para transmitir seu legado através das eras. Conhecer a caducidade significa compreender que todas as coisas materiais se deterioram e rompem, preparando a via de sua sucessão.

Havendo casamento, há geração de vida, daí a ideia de perenizar o fim; além disso, o caminho dos cônjuges deve durar eternamente até o término, devendo eles reconhecer a propensão à ruína para se manterem precavidos e vigilantes. Ruína refere-se a discórdias e rupturas.

Guī Mèi é agir e deleitar-se na paixão: difere da complacência ativa de Héng e da quietude dócil de Jiàn.

O prazer da jovem moça é comoção cega dos sentidos; agir assim é perder o prumo reto, não constituindo a via perene e correta do casal, a qual com o tempo inevitavelmente se desgastará. Sabendo que haverá desgaste, deve-se cogitar em perenizar o fim.

Aqueles casais sob o Céu que se voltam em hostilidade mútua são os que não souberam perenizar seu término. Não apenas na vida conjugal, mas em todos os empreendimentos sob o Céu tudo tem seu fim e seu desgaste, e em tudo há princípios para garantir a continuidade e a longevidade.

Ao contemplar Guī Mèi, deve-se meditar na solene advertência de tornar duradouro o fim.

Zhouyi ZhuJuízo

Mèi é a designação para a donzela jovem. Duì é o yin jovem, Zhèn é o yang primogênito; o yin jovem que cavalga o yang maduro, agindo por atração e prazer, é a imagem de dar a donzela em casamento.

Zhouyi ZhuComentário Tuan

O yin e o yang se unem, e o mais velho e a mais jovem entrelaçam-se: "a grande retidão do Céu e da Terra", o início e o fim da ordem humana.

A donzela jovem une-se ao varão adulto, o que não costuma ser do agrado da jovem; contudo, aqui ela "age por deleite e atração", e quem parte como noiva há de ser a donzela jovem.

Embora se una ao homem mais velho, ela vai na condição de concubina e dama de companhia, razão pela qual se alegra. Ao trilhar os degraus, nenhuma linha está na devida posição, explicando o sentido de "empreender traz infortúnio".

Já que as posições não são devidas, fica evidente que não se trata da esposa principal legítima; agir por mero encanto sensual para buscar ascensão e privilégio é o caminho da falsidade e da intriga, advertindo-se assim contra o "infortúnio ao empreender".

Avançar atrai o infortúnio da incorreção; permanecer traz a desordem de cavalgar sobre a firmeza.

Zhouyi ZhuGrande Imagem

Guī Mèi é o caminho que perpetua o fim e o princípio; por isso, "eterniza o fim conhecendo o desgaste".

Zhouyi ZhengyiJuízo

O Zhengyi diz: Guī Mèi é o nome do hexagrama. O casamento da mulher chama-se gui; "Guī Mèi" equivale a dar a donzela jovem em casamento.

Contudo, no Livro das Mutações o uso do termo Guī Mèi traz sentidos distintos: no hexagrama Tài, na linha Seis na quinta posição, diz-se "O Soberano Yi casa sua filha donzela", referindo-se a um irmão mais velho que entrega a irmã em núpcias.

Neste hexagrama, chama-se Guī Mèi porque a donzela acompanha sua irmã como dama de companhia e concubina (di); por isso a linha Nove no início afirma: "A donzela que se casa como concubina acompanhante".

No hexagrama Xián anterior, tratava-se da mútua comoção entre os dois jovens; em Héng, da mútua sustentação entre os dois maduros; mas este hexagrama traz a moça jovem servindo ao homem maduro, o que não é casamento entre iguais; logo, é a donzela que se casa como concubina, e por isso é chamado Guī Mèi.

Nos tempos antigos, quando os senhores feudais tomavam esposa, recebiam nove mulheres: a esposa legítima era acompanhada por irmãs e sobrinhas como concubinas; daí aplicar-se a este hexagrama.

Não mencionar a sobrinha decorre de a irmã mais nova pertencer à mesma geração fraterna, tomando-se a mais próxima para abarcar as demais. Quanto a "empreender traz infortúnio; nada é favorável", é a advertência de Guī Mèi.

Empreender significa mover-se e avançar para algum lugar. A donzela que vai como concubina acompanhante não é a esposa de primeira ordem; cabe-lhe apenas guardar sua posição humilde e submissa para servir à consorte principal.

Se a concubina avançar cobiçando favores e rivalizando com a senhora legítima, incorrerá na culpa desastrosa da usurpação; daí dizer-se "empreender traz infortúnio; nada é favorável".

Zhouyi ZhengyiComentário Tuan

O Zhengyi diz: Quanto a "Guī Mèi é o grande dever do Céu e da Terra; se o Céu e a Terra não se unissem, os dez mil seres não prosperariam", recorre-se aqui à união do Céu e da Terra, da qual brota a florescente multiplicação de todos os seres, para atestar e exaltar a dignidade do casamento.

A razão pela qual, antes de explicar o nome do hexagrama, cita-se essa comprovação prévia, é que a condição de concubina acompanhante não é algo que os sentimentos humanos espontaneamente almejem, violando a regra da estrita paridade conjugal.

Foi o Santo Sábio quem estabeleceu os ritos, fazendo com que irmãs e sobrinhas acompanhassem a esposa principal como concubinas, para ampliar e multiplicar a descendência sagrada, à imagem do Céu e da Terra cujas energias de jovem yin, jovem yang, maduro yin e maduro yang entrecruzam-se para multiplicar e fertilizar os dez mil seres.

Quanto a "Guī Mèi é o fim e o começo do homem", após evocar a união cósmica como evidência, aplica-se aqui o matrimônio aos assuntos humanos para harmonizar seus sentidos.

O Céu e a Terra combinam o yin e o yang para gerar os seres sem cessar; a linhagem humana une jovens e velhos para que a sucessão não se extinga. Não seria Guī Mèi, portanto, "o grande princípio do Céu e da Terra, o fim e o recomeço da ordem humana"?

O Zhengyi diz: Aqui se explica o sentido de Guī Mèi pela natureza dos dois trigramas. Uma donzela jovem unindo-se a um varão maduro não é algo que agrade à jovem; contudo, aqui ela "age por deleite e atração", e quem casa-se há de ser a donzela jovem.

Embora se relacione com o homem mais velho, vai na condição de dama de companhia acompanhante (di), razão pela qual se compraz.

A causa do agrado ao ir como concubina acompanhante é que, estando subordinada à irmã como concubina, não precisa casar-se com um estranho; e se não preenchesse esse número, sofreria o receio de ser dada a outro destino incerto; assim, acompanhar a irmã está em conformidade com os ritos, agindo impelida pelo agrado e pela doce aceitação.

Quanto a "nada é favorável, pois o suave cavalga sobre o firme", o Zhengyi diz: Isto decorre de Seis na terceira posição e Seis na quinta posição cavalgarem sobre o yang firme, elucidando o motivo pelo qual "nada é favorável".

O yang é nobre e o yin é humilde; se a concubina acompanhante, que é de condição inferior, avançar cobiçando favores desmedidos, isso constitui o desprezível que usurpa o nobre, pelo que nenhuma ação trará proveito.

Sobre o comentário "avançar traz o infortúnio da incorreção; permanecer traz a desordem de cavalgar sobre a firmeza", o Zhengyi diz: O Julgamento (Tuan) explica o "infortúnio ao empreender" pela perda das posições devidas, e explica o "nada é vantajoso" pelo cavalgar sobre a firmeza; o comentário de Wang Bi reúne ambas as ideias porque as Regras Gerais (Lüe Li) ensinam: "Excluindo a primeira e a última linhas para discutir a divisão das posições, a terceira e a quinta estão no topo de cada trigrama, como não seriam yang?

A segunda e a quarta estão na base de cada trigrama, como não seriam yin? Assim, a segunda e a quarta são posições yin, enquanto a terceira e a quinta são posições yang".

O yang deveria estar em cima e o yin embaixo; agora, a segunda, terceira, quarta e quinta linhas perderam todas suas posições próprias, resultando na condição em que o yin cavalga o yang.

É o mesmo que a concubina que busca favores: sua atitude natural é o inferior que se sobrepõe ao superior, evidenciando que a docilidade que cavalga a firmeza decorre de avançar sem retidão.

Zhouyi ZhengyiGrande Imagem

O Zhengyi diz: "Sobre o lago há o trovão", "age impelida pelo deleite": por isso se diz "A donzela que se casa: o homem nobre eterniza o fim conhecendo o desgaste".

"Guī Mèi é o caminho pelo qual o fim e o começo se alternam perpetuamente"; por essa razão o nobre toma isso como modelo para prolongar e perpetuar a descendência, precavendo-se contra o desgaste e o esgotamento que fatalmente sobrevirão.

Fontes